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O PAI DE WINNICOTTDavy Bogomoletz Alexander Newmann, em seu extenso e delicioso comentário sobre a obra de Winnicott (Non Compliance in Winnicott’s Words – publicado em 2001 pela Imago, com tradução deste que vos escreve) inicia assim o verbete Pai:
Volta e meia é dito que Winnicott não leva os pais muito a sério, ou que ele desvaloriza seu papel no desenvolvimento inicial do bebê. No entanto, ele fez algumas afirmações bem detalhadas a respeito, e há todo um capítulo (cap. 17) no livro The Child, the Family and the Outside World dedicado ao pai, o qual, embora um tanto datado, ainda assim vai fundo. (...) A primeira coisa que quero dizer é que o pai é necessário em casa para ajudar a mãe a sentir-se bem em seu corpo e feliz em seu espírito. Uma criança é realmente sensível ao relacionamento entre seus pais... A segunda coisa, como eu disse, é o pai ser necessário para dar à mãe apoio moral, ser um esteio para a sua autoridade, um ser humano que sustenta a lei e a ordem que a mãe implanta na vida da criança. (...) A terceira coisa a dizer é que a criança precisa do pai por causa de suas qualidades positivas e das coisas que o distinguem de outros homens, bem como da vivacidade de que se reveste a sua personalidade. O momento significativo seguinte em que o pai se faz presente nos escritos de Winnicott é em 1966, quando ele escreve o artigo A Criança no Grupo Familiar. Ao longo dos tantos anos entre um momento e o outro, ele foi aperfeiçoando as suas teorias sobre o desenvolvimento emocional primitivo e sobre o relacionamento dual primário. A sofisticação de seu pensamento se reflete na enorme diferença entre os dois textos, pois a figura idealizada inicial dá lugar a uma pessoa bem mais ‘de carne e osso’ que aquela desenhada na citação anterior: O PAI entra no quadro geral de duas maneiras. Até certo ponto, ele é uma das duplicações da figura materna. Nos últimos cinqüenta anos, tem havido neste país uma mudança na orientação, de tal modo que os pais se tornaram muito mais reais para seus filhos no papel de duplicações da mãe do que eles eram, parece, décadas atrás. No entanto, isso interfere com a outra característica do pai, segundo a qual ele acaba entrando na vida da criança como um aspecto da mãe que é duro, severo, implacável, intransigente, indestrutível, e que, em circunstâncias favoráveis, vai gradualmente se tornando aquele homem que se transforma num ser humano, alguém que pode ser temido, odiado, amado, respeitado. [Itálicos meus.] Aqui vemos como Winnicott lista uma série de sentimentos que, em 1945, pareciam bem distantes de sua consciência. O que sabemos sobre o pai do próprio Winnicott até o momento, principalmente através de Brett Kahr (D.W.Winnicott, um Retrato Biográfico, Exodus Editora, 1998) é que era um homem muito ativo em sua cidade (comerciante abastado, depois vereador, depois prefeito) que pouco parava em casa, de personalidade geralmente afável e, aparentemente, ‘very, very British’. Winnicott conta que certa vez quebrou o nariz de uma boneca de cera de sua irmã, com a qual brincava, e que sentiu um grande alívio quando o pai recompôs o nariz aquecendo a cera com uma vela. E também conta que o pai, um paroquiano muito ativo na igreja metodista local, de orientação não conformista, tinha um respeito enorme pelo direito de cada ser humano interpretar a Bíblia à sua maneira pessoal. Certa vez ele perguntou ao pai qual o verdadeiro significado de um determinado versículo, e o pai respondeu: “Leia o que está escrito. O que você entender, é a verdade.” Mas esse mesmo pai teve mais adiante uma reação verdadeiramente catastrófica: certa noite, no jantar, Donald, então com 11 anos, soltou uma exclamação que ao pai pareceu uma terrível blasfêmia: “Drat,” disse o menino a respeito de algo. Segundo Kahr, o pai proclamou imediatamente que o filho estava andando em más companhias, e decretou a sua ida para um colégio interno no início do ano letivo seguinte. De fato, foi o que aconteceu. O pequeno Donald tinha vivido até então rodeado de mulheres: mãe, duas irmãs mais velhas, babá, cozinheira, copeira, arrumadeira, etc., e diz Kahr que ele passava uma boa parte do seu tempo livre... na cozinha, conversando com as empregadas (que certamente deviam mimá-lo o tempo todo). Sabemos que a Sra. Winnicott sofria de uma depressão bastante grave, e que quase ao final de sua vida ele escreveu um pequeno poema em que falava de seus grandes e inúteis esforços por tentar fazer com que a mãe sentisse um pouco de felicidade. Sabemos também, pelo relato de Kahr, que o jovem Winnicott era uma figura bastante enérgica no colégio, tendo participado intensamente das atividades esportivas, e também fomos informados de que a escolha de sua carreira (de médico) se deveu à decisão que tomou na época, ao luxar o ombro, de que ‘não queria passar o resto da vida dependendo dos médicos’, e que para tanto o melhor remédio era tornar-se médico ele próprio... Creio que podemos inferir que as conseqüências emocionais daquela decisão do pai foram mais que severas: talvez não tenha sido por acaso que o primeiro grande trabalho de Winnicott na área da psicanálise, com o qual ele encerrou a sua formação, e que só veio a público vinte anos depois (A. Newmann entende que o artigo ficou esquecido, mas podemos imaginar que Winnicott ajudou um pouco para que isso acontecesse...) tem por título “A Defesa Maníaca”! Como indício final sobre o relacionamento de Winnicott com seu pai, sabemos também que o seu casamento profundamente infeliz com Alice, sua primeira mulher, que sofria de graves perturbações psicóticas, e com quem ele vivia separado já há alguns anos, só terminou de fato depois da morte do pai, e não há por que não especular que o seu relacionamento com sua segunda esposa, Clare, já teria se iniciado antes disso, pois ele a havia conhecido mais de cinco anos antes (durante a guerra, quando supervisionava o trabalho de assistência às crianças de Londres levadas para o interior para fugirem ao bombardeio sistemático da cidade pelos alemães). Tudo isso leva a crer que o pai de quem Winnicott falava até então era o dele mesmo: para o bem ou para o mal, e talvez para ambas as coisas, foi um pai muito forte, muito pregnante, que marcou uma presença muito intensa no mundo interno do nosso autor. Um livro que não demorará muito para sair no Brasil, assim creio, a extensa biografia de Winnicott recentemente publicada por Robert M. Rodman, certamente lançará mais luz sobre este aspecto de sua vida. Por enquanto ficam as especulações, respaldadas por esses poucos mas significativos indícios. Bem mais tarde, na summa psycanalitica que tentou escrever, revendo-a e revisando-a durante vinte anos, mas que não chegou a completar – Natureza Humana (iniciado em 1954, revisado até 1967 e publicado somente em 1988, quase vinte anos após a sua morte), ele acrescenta alguns ingredientes bem interessantes: Na relação triangular entre pessoas, que neste momento estudamos, a criança é apanhada de surpresa pelo instinto e pelo amor. Esse amor envolve mudanças no corpo e na fantasia, e é violento. Um amor que leva ao ódio. A criança odeia a terceira pessoa. [Itálicos meus]. Por ter sido um bebê, a criança já conhece o amor e a agressão, e também a ambivalência e o medo de que aquilo que é amado seja destruído. Agora, finalmente, na relação triangular, o ódio pode aparecer livremente, pois o que é odiado é uma pessoa que pode se defender, e que na verdade já é amada; no caso do menino, trata-se do pai, do genitor, do marido da mãe. O amor pela mãe é liberado, nos casos mais simples, porque o pai se transforma no objeto do ódio, aquele capaz de sobreviver, e castigar, e perdoar. [Itálicos meus]. Entre “ele acaba entrando na vida da criança como um aspecto da mãe que é duro, severo, implacável, intransigente, indestrutível ” e “alguém que pode ser temido, odiado, amado, respeitado,” de 1966 e “aquele capaz de sobreviver, e castigar, e perdoar,” de 1967, não vai, convenhamos, uma distância muito grande. A distância maior está entre as duas expressões do primeiro texto. Como se nessas duas frases Winnicott tenha descrito o seu próprio percurso no relacionamento com o pai. Sabemos por Jung que toda teoria psicanalítica é uma autobiografia disfarçada. Sabemos por nossa própria experiência enquanto psicanalistas que só compreendemos bem uma teoria se, no nosso desenvolvimento emocional pessoal, já fomos além do que ela descreve. Ergo... Em seguida vem um trecho em que ele resume em poucas linhas a teoria do complexo de Édipo segundo Freud, e o qual ele conclui de modo particularmente tocante: E numa de suas últimas afirmações conhecidas (até aqui) sobre o tema, em 1969, ele diz: O Uso de um Objeto no Contexto de Moisés e o Monoteísmo, 1969(Explorações Psicanalíticas, pg. 188)O significado específico das expressões que marquei com itálicos no texto é o seguinte: a mãe, não só na primeira infância mas talvez para sempre, é vista pelos filhos como “mãe” – aquela que está ali para exercer uma certa função. Poucas vezes o desenvolvimento emocional dos filhos lhes permite chegar a vê-la como pessoa, como ser humano, como ela mesma para além do seu papel de mãe. Já o pai, diz Winnicott, pode ser o primeiro vislumbre que a criança tem da integração e da totalidade pessoal – e isto quer dizer: O pai leva a vantagem – e confere essa vantagem aos filhos – de ser percebido quase que de saída como pessoa, como alguém que é em primeiro lugar um ser humano por direito próprio, e só em segundo lugar (ainda que não muito distante) como exercendo uma função parental na vida da criança. A mãe muitas vezes permite que os filhos a considerem em primeiro lugar mãe, e só muito depois uma pessoa com interesses próprios e características próprias. Já com o pai essa diferença funciona geralmente bem mais rápido. (O hábito de tantas mães de chamarem a si mesmas de “mãe” ou “mamãe” quando falam com os filhos, tão poucas vezes (proporcionalmente) referindo-se a si mesmas como “eu” já diz, sozinho, quase tudo a esse respeito. Não me lembro de ter ouvido pais falando com os filhos, a não ser na primeira infância, do mesmo modo.) Obviamente, não pretendo erigir uma “teoria” sobre o pai com base em tão pouco. Mas Winnicott nos dá aqui uma pista: enquanto a mãe não é vista pela criança como pessoa total tão cedo, e às vezes nunca – e isto supondo que ela tenha de fato alcançado, em sua integração pessoal, o status de unidade, ela teria muito mais dificuldade de conferir aos filhos um modelo daquilo que, em nossa sociedade, chamamos de “adulto”. Permitindo que uma parte tão grande de sua pessoa seja projetada – isto é, fantasiada – pelos filhos (aquilo que Winnicott, genialmente, chama de ‘objeto subjetivamente concebido’), sua imagem fica presa, em maior ou menor medida, à fantasia infantil onipotente. O pai estaria, nesse caso, em muito melhores condições para apontar para os filhos o caminho do amadurecimento (funcionando desde o início, potencialmente, como um ‘objeto objetivamente percebido’). E assim, deparamo-nos (ou, melhor, eu me deparo) com uma versão bem diferente do fenômeno que se costuma chamar de “terceira pessoa”. Não precisaremos, então, dessa história de “castração”, tão cara à psicanálise de origem francesa, tão mal compreendida (et pour cause...), e tão pouco propensa a se deixar passar para o público em geral. Aqui podemos utilizar um modelo de amadurecimento, tão mais ao gosto do próprio Winnicott. O pai convida ao amadurecimento, pelo simples fato de estar menos preso à fantasia onipotente infantil. Como eu mesmo disse num outro trabalho (“Um é pouco, dois é bom, três é demais”), se a mãe tem a cabeça no lugar, ela mesma se encarrega de adelgaçar o vínculo primitivo com os filhos (pois ele jamais se rompe por completo, nem mesmo com a morte – “Isso que chamam de separação não existe!”) até permitir que os mesmos se tornem verdadeiros adultos, aceitando que existem na vida objetos subjetivamente concebidos, objetos objetivamente percebidos, e sabendo a diferença entre uns e outros e quando é o caso de usar um ou outro (isto é, capazes de fazer o mesmo trabalho pelos próprios filhos). Não que essa possibilidade da mãe torne o pai “dispensável”, longe disso. O pai completa e legitima esse trabalho, conforme se depreende do que está dito acima. O fato é que quando a mãe não faz a sua parte, pouco pode o pai fazer para “cortar o vínculo”, “romper a simbiose”, “castrar a onipotência”, e assim por diante – mesmo considerando que o próprio Winnicott assim pensava – ou ao menos assim disse. Um aspecto muito interessante surge quando comparamos a descrição da função da mãe com a função do pai, dentro mesmo dos escritos de Winnicott. Por outro lado, disse ele um ano antes, E ele já havia dito que: E assim, circulando nos meandros dos escritos desse inglês baixinho, irrequieto e genial, podemos concluir que se a figura materna é uma condição necessária para o amadurecimento do novo ser humano, ela não é suficiente: Uma pessoa capaz de amar mas incapaz de odiar está manca, do ponto de vista social. É boa para permanecer em casa, mas não conseguirá sair à rua e enfrentar o mundo de igual para igual. Se a mãe prepara os filhos para a vida em família, o “trabalho” do pai os torna capazes de viver em sociedade, como sujeitos de pleno direito, como cidadãos ao mesmo tempo responsáveis e cientes de sua dignidade, capazes inclusive de reivindicar e fazer valer os seus direitos em público, sem se intimidarem com a idéia de que o gesto agressivo venha a ser ou demasiadamente forte ou demasiadamente fraco. E pensar que já em 1960, na resenha que faz ao livro Joseph Sandler, ele já o havia dito de um modo magistral: É claro, porém, que (como diz no artigo sobre a Adolescência, ao final de O Brincar e a Realidade), a função dos pais (ambos) é paradoxal: ao mesmo tempo tolerar o desafio e não tentar reprimi-lo, e fazer frente a ele, com a autoridade que a vida lhes deu (mas se eles a assumiram é outra história) para estabelecer limites e dizer “Não!”. Quantos pais o conseguem, hoje em dia? Seria interessante, aliás, especular um pouco sobre a figura do pai com base nas noções winnicottianas de ser e fazer, mencionadas por Davis. Como sabemos, a dimensão do ser (being)fala da identificação, do ser-igual-a, função primeira e primária do bebê, que se identifica (ou seja, que se percebe idêntico a e com isso adquire uma identidade) com a figura que o protege e alimenta (nessa ordem, diz Winnicott, e não ao inverso). Essa ‘igualdade’ primária funciona como um estopim para o desenvolvimento de uma sensação de identidade própria – aquilo a que mais tarde chamaremos de ‘eu’ –, e para o surgimento da capacidade cognitiva posterior de identificar-se, de perceber-se semelhante. A natureza do ‘ser’ é interessantemente evocadora do que os chineses chamam de Yin (Nada a ver com ‘passividade’. O Yin é aquilo que está, e que por estar, permite, possibilita. É a força que, em vez de agir, dá, proporciona.) Já a dimensão do fazer (doing) é aquela que age, que se move, que modifica, que, como o nome diz, faz. É o Yang dos chineses. As duas noções são paralelas, diz Winnicott, ao Feminino e ao Masculino, sem ter, porém, nada a ver necessariamente com homens e mulheres. Quando incluímos na equação do ser humano as noções de ser e fazer, a idéia da bissexualidade fica inclusive bem mais fácil de ser compreendida. Pois é bem mais interessante pensar numa pessoa humana como portadora ao mesmo tempo das dimensões de ser e fazer, que pensar nela como sendo ao mesmo tempo masculina e feminina. O ‘identificar-se com’ é um modo bem mais econômico de entender a ternura, por exemplo, que a idéia da homossexualidade, pois evita certos equívocos de interpretação que seriam quase obrigatórios se esse aspecto não fosse levado em conta. E por outro lado, a capacidade de agir precisaria do falo com todos os seus ingredientes (triunfo, destruição, etc.) se não a pudéssemos entender com base na dimensão do fazer. Homens e mulheres, a partir de Winnicott, estão mais livres tanto para sentir quanto para agir. Pai e mãe, assim sendo, podem e devem completar-se, em vez de complementar-se, pois o completar-se significa que duas pessoas diferentes podem sobrepor-se em vários sentidos (de ternura, de ação, etc.), enquanto o complementar-se implica na idéia de duas pessoas radicalmente diferentes, cujos atos totais perfazem um todo, sem sobreposição (sem semelhança) entre um e outro. Em outras palavras: O pai pode (e deve) perfeitamente ter atitudes ‘maternais’, e a mãe pode (e deve) ter atitudes ‘fortes’, sem que isso ameace em nada a identidade específica de cada um. Para os filhos, esse outro modo de funcionamento é extremamente valioso: cria para eles a idéia de pessoas realmente totais, inteiras, em vez de deixá-los às voltas com um pai que é só masculino e com uma mãe que é só feminina. Sabemos dos estragos e das distorções provocados nos filhos por esse tipo de radicalização das duas figuras: O filhos tendem a tornar-se insensíveis e dominadores, e as filhas, impotentes e subjugadas. Um dos problemas mais agudos da assim chamada ‘figura paterna’, na sociedade atual, é justamente o da patologia dessa radicalização: O pai tende a ser (dependendo da classe sócio-cultural) tirânico ou apalermado (se não suportar ser tirânico). Não lhes resta outra alternativa, pois foram criados por famílias onde a clivagem e subseqüente repressão da dimensão oposta dominaram o cenário familiar: O pai deles era o supremo mandatário, e a mãe a criada fragilizada e submetida. Nos dias de hoje, essa dicotomia dos papéis parentais vem sendo questionada cada vez mais pelas gerações mais recentes, e o que vemos é que, em meio a um grande número de famílias ainda estraçalhadas ou pelo binômio ‘tirania (pai) + inermidade (mãe)’ ou por esse outro, ‘inermidade (pai) + falicidade (mãe)’, surge um número crescente de famílias onde o pai também é e a mãe também faz, e onde os filhos podem crescer inteiros e tornar-se pessoas governadas por um self verdadeiro e maduro. Uma perguntinha final, que Winnicott não faz, mas instiga: Até que ponto o uso cada vez mais intenso e extenso das drogas, essas substâncias que sabidamente transformam qualquer rato em leão (cocaína), ou qualquer sapo em príncipe (heroína, álcool), ou qualquer palerma num gênio (maconha e outras) não vem ocorrendo devido à falta cada vez maior do pai, e portanto à impotência cada vez maior da mãe, de cinqüenta anos para cá? Fontes bibliográficas:
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