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DE
BUBER A WINNICOTT: Davi
Litman Bogomoletz A intenção deste trabalho é a de propor que, numa sequência histórica surpreendente, as assim chamadas Culturas da Vergonha e da Culpa ganharam uma sucessora: a Cultura do Concern. Os dois primeiros termos me foram apresentados por Ruth Benedict em seu livro "O Crisântemo e a Espada" (Editora Perspectiva, São Paulo, 1972), no qual ela descreve a sociedade oriental - japonesa, por oposição à ocidental - americana, onde ela identifica respectivamente a vergonha e a culpa como os eixos em torno dos quais giram os processos civilizatórios desses dois grupos. E.R. Dodds, em "Os Gregos e o Irracional" (editora Gradiva, Lisboa, 1988), aceita as descrições de "Cultura da Vergonha" e "Cultura da Culpa" propostas por Benedict, porque "a sociedade descrita por Homero cai claramente na primeira categoria" (Pág. 26). Diz ele:
(Ele mostra, um pouco antes, ser a consciência (de si) algo de que o homem homérico nem sequer era dotado - "O herói homérico não tem qualquer concepção unificada daquilo a que chamamos "alma" ou "personalidade" Op. cit., pág. 24). Concern Não sendo necessário explicar o que significam os termos "culpa" e "vergonha", lembro que o termo concern foi utilizado por Winnicott para descrever uma atitude que leva o indivíduo a interessar-se espontaneamente pelo bem estar do outro. A atitude do concern consiste numa consideração prestada ao outro, que assim é percebido como "bom", "amigo", ou no mínimo como "não inimigo", ao menos potencialmente. Buber, em sua sabedoria que tantas vezes parece premonitória, já havia falado de uma atitude desse tipo, sem vinculá-la à psicanálise e sem dar-lhe um nome específico. Em "Do Diálogo e do Dialógico", (editora Perspectiva, São Paulo, 1982), consta o ensaio "Diálogo", de 1930 (!), no qual lemos (às págs. 41-43):
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